Artes da Preta: como gestão, identidade e propósito fortaleceram um negócio de moda afro
Conheça a trajetória de Madalena de Matos Fontoura e veja como capacitação, planejamento e valorização da cultura afro ajudaram a transformar a Artes da Preta em um negócio com identidade e impacto.
Atualizado em: Leitura: 3 minutos
A história da Artes da Preta mostra como uma ideia pode ganhar força quando encontra propósito, identidade e gestão. À frente da marca está Madalena de Matos Fontoura, empreendedora da Restinga, em Porto Alegre, que transformou a costura criativa em um negócio conectado à cultura afro, à ancestralidade e à geração de oportunidades.
A trajetória começou de forma simples. Depois de perder o emprego e passar alguns meses em busca de uma nova oportunidade, Madalena comprou uma máquina de costura usada por R$ 30. Sem curso ou orientação, aprendeu na prática: desmontava roupas emprestadas, observava cada detalhe e montava tudo novamente.
Em 2001, ela começou a empreender com ajustes e reformas. Aos poucos, percebeu uma oportunidade nas roupas religiosas e passou a divulgar seu trabalho entre irmãos de santo. O boca a boca fez a marca crescer e abriu caminho para a criação da Artes da Preta, que hoje une costura, artesanato, customização, pintura e peças com forte identidade cultural.

Quando a costura encontra propósito
A Artes da Preta nasceu da habilidade manual de Madalena, mas foi se consolidando como uma marca com significado. Motivada pela participação em cursos e feiras, ela passou a desenvolver uma costura criativa voltada à moda afro, com peças que contam histórias e valorizam a cultura negra.
A empreendedora trabalha com tecidos nacionais e importados da África, além de reaproveitar materiais para reduzir desperdícios. Com isso, suas criações dialogam com diferentes públicos e reforçam um diferencial importante: a moda como expressão de identidade, memória e pertencimento.
Para pequenos negócios, essa é uma inspiração prática. Ter um produto bonito é importante, mas construir uma marca com propósito ajuda a criar conexão, reconhecimento e valor percebido.
Capacitação ampliou a visão sobre o negócio
Durante muitos anos, Madalena sustentou sua trajetória com dedicação e prática. A costura ajudou a custear despesas da casa, apoiar a família e pagar a faculdade de Gestão de Recursos Humanos. Mas foi a partir do final de 2024, ao participar de capacitações voltadas ao empreendedorismo, que ela começou a olhar para a Artes da Preta de outra forma.
A primeira formação foi pelo Portas Abertas. Depois do curso, Madalena participou da primeira feira da história da marca e teve um resultado acima do esperado. Vendeu bastante, conquistou novos clientes e passou a ser reconhecida também fora da Restinga.
Esse movimento mostra como a participação em capacitações e espaços de comercialização podem abrir novas perspectivas para quem empreende. Além de vender, a empreendedora passou a testar produtos, entender melhor o público e perceber novas possibilidades para a marca.
O apoio do Sebrae RS e o Projeto Economia de Vilas
Em 2025, a entrada no Projeto Economia de Vilas, da Regional Metropolitana do Sebrae RS, marcou uma nova fase para Madalena. A experiência trouxe mais clareza sobre gestão, planejamento e posicionamento do negócio.
Segundo a empreendedora, o projeto ajudou a mudar sua percepção sobre a própria atuação. Ela passou a trabalhar não apenas como costureira, mas como empreendedora. Esse olhar fez diferença na forma de organizar processos, pensar preços, controlar o financeiro e planejar os próximos passos.
No primeiro ano do projeto, Madalena aprendeu sobre precificação e gestão financeira. Passou a controlar entradas e saídas e a calcular melhor o valor de cada produto. Em 2026, voltou a participar da iniciativa e avançou em temas como marketing, novas tecnologias e uso de inteligência artificial no dia a dia do negócio.
Gestão também faz parte da criatividade
A história da Artes da Preta reforça um ponto importante para micro e pequenos negócios: criatividade e propósito precisam caminhar junto com gestão. Quando a pessoa empreendedora entende seus custos, organiza o financeiro e planeja suas ações, o negócio ganha mais segurança para crescer.
No caso de Madalena, ferramentas de controle, precificação e planejamento ajudaram a fortalecer uma marca que já tinha identidade. A diferença é que, com mais organização, ela passou a enxergar melhor o potencial do empreendimento e os caminhos para ampliar sua atuação.
Esse aprendizado vale para diferentes segmentos. Seja na moda, no artesanato, na alimentação, nos serviços ou na economia criativa, olhar para o negócio de forma estratégica ajuda a transformar talento em oportunidade.
Próximos passos: crescimento e impacto social
Madalena tem planos bem definidos para os próximos anos. Entre suas metas pessoais está matricular os filhos em escola particular e oferecer plano de saúde para eles. Também pretende ministrar cursos para mães atípicas da comunidade onde vive, compartilhando conhecimento e criando novas oportunidades.
Para 2027, o sonho é abrir uma loja de departamento afro, reunindo todos os produtos da Artes da Preta. A empreendedora também planeja contratar seis pessoas, ampliando o impacto social do negócio e contribuindo para o fortalecimento da economia local.
A trajetória mostra que empreender é um caminho feito de aprendizado, adaptação e rede de apoio. Com identidade, planejamento e acesso a conhecimento, pequenos negócios podem ganhar novos mercados e gerar transformação ao seu redor.
Conheça a história completa
O Sebrae RS preparou o Caso de Sucesso – Artes da Preta: moda afro com propósito, identidade e transformação, com a trajetória completa de Madalena de Matos Fontoura e uma entrevista sobre o impacto do Projeto Economia de Vilas no desenvolvimento do negócio.
Acesse o material completo e conheça essa história de moda afro, propósito e empreendedorismo na prática.
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