A economia dos criadores não é só para influencer. É para você também

Entenda por que o consumidor passou a comprar por recomendação e como seu negócio entra nesse mercado.

Publicado em: Leitura: 5 minutos

imagem blog A economia dos criadores não é só para influencer. Mulher trabalhando com peças de cerâmica enquanto utiliza o celular.

Pense na última vez que você comprou alguma coisa depois de ver uma pessoa real usando, testando e recomendando nas redes sociais. Esse caminho já virou regra no Brasil: 49% das vendas em e-commerce passam por canais de afiliados, segundo o relatório da consultoria Noodle (Mundo do Marketing, 2026). A economia dos criadores (creator economy) é o mercado que nasceu dessa mudança. E ela não pertence só aos influenciadores: alcança qualquer negócio que usa conteúdo para gerar relacionamento, autoridade e vendas. Ou seja, o seu também.

Neste artigo, você vai entender por que o comportamento do consumidor mudou primeiro, o que é de fato esse mercado, como o seu negócio pode entrar por duas portas complementares e quais critérios usar para escolher um criador de conteúdo que combine com a sua marca.

Por que a forma de comprar mudou?

A propaganda tradicional perdeu o monopólio da decisão de compra. Hoje, as pessoas descobrem produtos em vídeos curtos, comparam avaliações, perguntam em comunidades e confiam na recomendação de quem já usou. Antes de ser um mercado, a economia dos criadores é uma mudança na forma como as pessoas descobrem, confiam e compram.

Os números mostram o tamanho dessa virada. Além dos 49% das vendas em e-commerce que já passam por afiliados, 37% das empresas brasileiras ampliaram o orçamento nesse modelo (Noodle/Mundo do Marketing, 2026). E a confiança tende a ser de perto: 73% dos brasileiros seguem perfis que falam da própria região, segundo a Influency.me (2026).

Para quem empreende no Rio Grande do Sul, essa é uma notícia excelente. O consumidor quer ouvir quem está perto dele, fala a língua dele e entende a realidade dele. A economia dos criadores é consequência dessa mudança de comportamento, não a causa. 

O que é a economia dos criadores?

A economia dos criadores é o mercado formado por pessoas e negócios que transformam conteúdo em relacionamento, autoridade e receita. Ela não envolve apenas influenciadores: inclui marcas e pequenos negócios que usam o próprio conhecimento e a própria experiência para se conectar com clientes.

O tamanho desse mercado impressiona. No mundo, a projeção do Goldman Sachs Research (2023) aponta US$ 480 bilhões até 2027. Segundo o relatório da consultoria Noodle (Mundo do Marketing, 2026), a economia dos criadores deve saltar de US$ 5,47 bilhões em 2025 para US$ 33,5 bilhões em 2034 no Brasil, o segundo maior mercado de criadores do mundo. São 2,1 milhões de criadores ativos no país (Influency.me, 2026), e a região Sul concentra 14% deles (Censo Wake Creators, 2025).

E há um detalhe estratégico: o mercado é grande, mas ainda pouco profissionalizado. Pelo Censo de Criadores de Conteúdo do Brasil 2025, da Wake Creators, só 9% vivem de conteúdo como renda principal e 86% gerenciam a carreira sozinhos. É esse início de profissionalização que abre espaço para quem entra agora com organização e gestão.

Como seu negócio pode criar conteúdo sem ser influenciador?

A primeira porta de entrada é o negócio como criador. Você não precisa virar celebridade digital: precisa mostrar o que já faz bem. A matéria-prima do conteúdo está na sua rotina, na sua equipe, nos seus clientes, nos seus fornecedores e nos seus parceiros. O bastidor, o processo e o conhecimento do ofício rendem conteúdo autêntico, aquele que gera confiança.

Na prática gaúcha, isso tem muitas caras: o produtor rural que mostra a lavoura, o restaurante que abre a cozinha, a vinícola que acompanha a safra, o prestador de serviço que ensina o que faz. São as vocações econômicas do estado convertidas em conteúdo com naturalidade, porque você fala do que conhece. Exige constância, não equipamento caro.

A escolha do nicho, aliás, é decisão de autoridade, não de volume. O lifestyle (estilo de vida) é o maior segmento e também o mais disputado: 1,3 milhão de criadores, 57% do total (Influency.me, 2026). Já a demanda cresce mais rápido que a oferta no agro digital (potencial estimado em R$ 1,3 trilhão e poucos criadores relevantes), em finanças para a Geração Z (420 mil buscas mensais no Google e oferta mínima) e em gastronomia, educação e serviços locais (Meio&Mensagem, 2025). Agro, gastronomia, vitivinicultura e serviços: territórios em que o pequeno negócio gaúcho já tem prática e reputação.

Dica: reserve 30 minutos esta semana: liste três momentos da sua rotina que renderiam um vídeo simples de bastidor. Se a lista sair fácil, você já tem pauta para o primeiro mês de conteúdo.

Como funciona a parceria com criadores de conteúdo locais?

A segunda porta é o negócio como anunciante, e ela é mais acessível do que parece. O canal de entrada é o micro e o nano influenciador local: perfis de até 10 mil seguidores alcançam engajamento de 4% a 8%, contra menos de 1,5% dos perfis com mais de 500 mil seguidores (Noodle/Mundo do Marketing, 2026).

A oferta também joga a favor do pequeno negócio: 83% dos criadores brasileiros têm até 100 mil seguidores (Censo Wake Creators, 2025), o que torna abundante a opção local e de nicho. E cabe no bolso: a permuta, troca de produto ou serviço por divulgação, é a forma mais comum de colaboração no país, praticada por 67% dos criadores. A publicidade com marcas, por sua vez, responde por cerca de 70% da receita de quem cria conteúdo, ou seja, criadores locais buscam ativamente parcerias como a sua.

Quais critérios usar para escolher um criador além do número de seguidores?

Seguidores são a métrica mais visível e a menos decisiva. Antes de fechar uma parceria, avalie:

  • Aderência: a audiência do criador é do público e da região que o seu negócio atende.
  • Autoridade: o criador é referência no tema, não apenas popular.
  • Propósito e conexão: os valores dele conversam com os da sua marca.
  • Engajamento real: há conversa nos comentários, não só curtidas.
  • Histórico de colaborações: como foram as parcerias anteriores com outras marcas.

Esse filtro evita o erro mais caro do marketing de influência: pagar por alcance que não vira relacionamento nem venda. 

Produzir conteúdo próprio ou contratar criadores: precisa escolher?

Não. Produzir o próprio conteúdo e trabalhar com criadores não são caminhos excludentes: são estratégias que se somam. Começar como anunciante, por exemplo, ensina o que funciona com o seu público antes de você investir mais tempo como criador. E quem já produz conteúdo interno tem mais repertório para escolher e orientar um parceiro.

Um jeito simples de decidir por onde começar:

  • Como criador faz sentido para quem domina um nicho com demanda. Exige constância e pauta. Primeiro passo: publicar o bastidor do dia a dia.
  • Como anunciante faz sentido para quem quer alcance rápido no público local. Exige seleção e briefing do criador certo. Primeiro passo: mapear criadores locais do seu nicho.

Os dois papéis podem conviver e se reforçar ao longo do tempo.

imagem blog A economia dos criadores não é só para influencer. Mulher sorrindo com um celular nas mãos, em um ambiente de trabalho com anotações ao fundo.

Como medir se a parceria com criadores está dando resultado?

Entrar nesse mercado é decisão de gestão: o que conta é a venda medida, não a curtida. Desde o primeiro teste, use link rastreável, cupom exclusivo por criador e acompanhe o custo por venda. Assim você compara parcerias entre si e com os outros canais do negócio.

Essa disciplina importa porque a mensuração é o calcanhar do setor: 82% dos líderes de marketing relatam dificuldade de medir resultados de influência (Noodle/Mundo do Marketing, 2026). Como referência histórica, um estudo da Tomoson, de 2015, já apontava retorno de US$ 6,50 por dólar investido em marketing de influência. O potencial existe; quem mede por conta própria é quem o captura.

Por onde começar na economia dos criadores?

Se você tem um pequeno negócio, o conteúdo é uma estratégia de acesso a mercado e de relacionamento. Comece pequeno e organizado:

  1. Defina a porta de entrada: criador, anunciante ou as duas.
  2. Publique o primeiro conteúdo de bastidor do seu negócio.
  3. Mapeie criadores locais do seu nicho e proponha uma permuta com cupom rastreável.
  4. Padronize a medição: link, cupom e custo por venda.

Se você é criador de conteúdo, o recado é tratar o conteúdo como negócio. A Lei nº 15.325/2026 reconhece o criador como profissão e exige transparência na publicidade, contratos e regularidade fiscal. Isso pede planejamento, posicionamento, formalização e profissionalização.

Saiba mais no guia sobre criadores de conteúdo para pequenos negócios.

A mensagem final é simples: a economia dos criadores não é um clube fechado de influenciadores. É uma oportunidade para qualquer pequeno negócio usar conteúdo de forma estratégica e para qualquer criador desenvolver o próprio negócio com sustentabilidade e responsabilidade.

 

Quer ver o mapa completo desse mercado, com os modelos de atuação, os nichos em alta e as formas de medir resultado? Acesse o e-book: A economia dos criadores não é só para influencer. É para você também


 

Conteúdo escrito por:

Sebrae
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