Do campo ao mercado global: certificações que abrem fronteiras para frutas e hortaliças do RS
O Acordo Mercosul-União Europeia derrubou tarifas, mas manteve as exigências sanitárias. Veja quais certificações destravam cada mercado e por que a rastreabilidade é o passaporte comum a todos.
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O Rio Grande do Sul responde por cerca de 46% da colheita nacional de maçã, segundo o Painel do Agronegócio do RS 2025 (DEE/RS), e exporta também cebola, alho, batata e uva. Com o Acordo Mercosul-União Europeia em aplicação provisória desde maio de 2026 e a demanda asiática crescendo, abriu-se uma janela real para o produtor gaúcho. Mas ela vem com um paradoxo: a tarifa cai para todos; a conformidade é responsabilidade individual de cada produtor. Neste texto, você entende quais certificações destravam quais mercados e por onde começar a preparação.
A janela: tarifas menores, exigências intactas
O acordo elimina tarifas para cerca de 93% dos produtos do Mercosul em até 10 anos, com 39% dos produtos agropecuários com tarifa zero já no primeiro ano, segundo a CNA. O que o acordo não muda: as exigências sanitárias e fitossanitárias europeias seguem integrais.
O contexto exportador ajuda a dimensionar a oportunidade: o RS exportou US$ 21,5 bilhões em 2025, com o agronegócio respondendo por 71,5% do total. Os principais destinos (China, União Europeia, Estados Unidos e Argentina) são exatamente os quatro blocos que o produtor precisa entender antes de escolher para onde vender.
E a régua sanitária europeia é aplicada de fato: em maio de 2026, a UE restringiu a compra de carne brasileira por questões regulatórias. Para quem produz frutas e hortaliças, o recado é direto: quem comprova conformidade atravessa a exigência; quem não comprova fica de fora, com ou sem tarifa zero.
Qual certificação para qual mercado?
Cada mercado comprador tem uma régua própria. Em resumo:
- América Latina: mercado de entrada, com logística curta. Exige o Certificado Fitossanitário emitido pelo MAPA conforme o requisito do país de destino.
- Estados Unidos: mercado de escala com prêmio de preço. Exige registro do estabelecimento na FDA, conformidade com a FSMA (Food Safety Modernization Act) e autorização de importação produto a produto pelo USDA/APHIS.
- União Europeia: mercado de margem e reputação. Além do certificado fitossanitário e dos limites de resíduos, o varejo organizado cobra certificações privadas: GLOBALG.A.P. (boas práticas agrícolas na produção primária) e BRCGS (segurança de alimentos no beneficiamento e embalagem). No horizonte, o EUDR, o regulamento europeu de produção livre de desmatamento.
- Ásia (China como âncora): mercado de volume e horizonte. Exige registro do estabelecimento exportador na GACC (a aduana chinesa), sob o regime do Decreto 280, em vigor desde junho de 2026, e protocolo fitossanitário bilateral por produto para frutas frescas, com pomares e packing houses registrados (regras do MAPA para a China).
A pergunta certa não é “qual certificação é melhor?”, e sim “em qual mercado está o meu comprador-alvo?”. A certificação é consequência da resposta. Para o varejo europeu mais exigente, estar certificado aumenta a chance de ser listado como fornecedor; a ApexBrasil, no Estudo de Oportunidades Mercosul-UE, recomenda expressamente confirmar certificações e documentação por produto antes de exportar.
Rastreabilidade: o passaporte comum aos quatro mercados
Mude o destino e muda a certificação; o que não muda é a base. Todos os quatro mercados cobram rastreabilidade do campo ao embarque: o registro de onde cada lote veio e para onde foi (o princípio “um passo para trás, um passo para a frente”).
Na prática, o fio de registro é este: caderno de campo por talhão (insumos, aplicações, carências), identificação de lote na colheita, beneficiamento e embalagem com rótulo rastreável, Permissão de Trânsito Vegetal quando aplicável e Certificado Fitossanitário do MAPA no embarque. GLOBALG.A.P., BRCGS, FSMA e o registro na GACC cobram exatamente esses registros.
A boa notícia sobre custo: rastreabilidade depende mais de disciplina de registro do que de software. Pode começar em planilha, desde que o lote feche. Por isso, a orientação prática do material é começar a organizar os registros antes de contratar qualquer auditoria.

Como se preparar (e contra quem você compete)
A concorrência vem dos fornecedores do Hemisfério Sul já certificados em escala, como os que disputam a mesma contra estação no Hemisfério Norte. A vantagem tarifária do acordo aproxima o RS da régua deles, sem eliminar a disputa. E algumas barreiras o acordo não remove: limites de resíduos, certificação privada do varejo, logística refrigerada e escala mínima por contêiner.
A preparação, portanto, é uma escada de quatro degraus, não um salto único:
- Diagnóstico de conformidade: inventariar os registros atuais da propriedade e comparar com a exigência do mercado-alvo;
- Adequação de processos: padronizar o caderno de campo e a identificação de lote;
- Pré-auditoria e correções: simular a auditoria e fechar as lacunas;
- Auditoria de certificação e manutenção anual.
Para diluir custos, vale olhar associações, cooperativas e a certificação em grupo, opção prevista no próprio GLOBALG.A.P. Há uma trilha institucional: consultoria e preparação para rodadas de negócios internacionais no Sebrae RS e a Jornada Exportadora da ApexBrasil.
Quer o mapa completo, mercado a mercado?
Este texto é a porta de entrada. O Relatório de Inteligência completo do Sebrae RS detalha as exigências dos quatro mercados compradores com tabela comparativa, o passo a passo da rastreabilidade, a escada de preparação e o plano de ação em três níveis, das providências de custo zero às decisões estruturais.
Acesse o material completo: Relatório de Inteligência “Do campo ao mercado global: certificações que abrem fronteiras para frutas e hortaliças do RS”.

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