SXSW 2026: Por que a imaginação virou o ativo mais valioso pro teu negócio

O evento mostra que imaginação e criatividade podem mudar a realidade do mercado e criar novos caminhos.

Publicado em: Leitura: 5 minutos

Uma das regras mais comuns no mercado, principalmente no marketing, é que ter uma estratégia é sinônimo de previsibilidade. Planejar um negócio era, basicamente, olhar pro retrovisor: analisar dados do ano passado, identificar padrões de consumo que já estavam consolidados e repetir modelos que funcionavam. Mas, se tem uma coisa que o SXSW 2026 está mostrando pros empreendedores, é que esse tempo acabou. O cenário mudou.

Mudanças tecnológicas que levavam décadas agora acontecem em meses. Transformações econômicas e novos comportamentos surgem num ritmo tão acelerado que o retrovisor já não dá conta de mostrar o que vem pela frente.

É nesse contexto de mudanças que um tema se destacou aqui em Austin: a imaginação. Mas não te engana, a gente não tá falando de algo abstrato, artístico ou “fora da realidade”, e sim de uma capacidade humana fundamental pra navegar no caos e encontrar caminhos onde ninguém mais está olhando.

Confere com a gente o que isso significa pro teu negócio!

Estratégia em tempos de instabilidade: improvisar ou imaginar?

Uma das sessões mais impactantes do evento foi a “Strategy in the Times of Chaos”, conversa que trouxe uma provocação que todo dono de pequeno negócio precisa ouvir. Lynn Jeffery, do Institute for the Future, explicou que, em momentos de instabilidade global, como o que a gente vive agora, as organizações precisam aprender a operar em dois modos simultâneos.

O primeiro é a improvisação. É o que o empreendedor gaúcho já faz muito bem: lidar com o imprevisto do dia, ajustar o caixa, resolver o problema logístico imediato. É a sobrevivência no presente. Só que, se tu ficar só no modo improviso, tu vira refém do caos.

É aí que entra o segundo modo: a imaginação. Pra Lynn, imaginar é a capacidade de pensar em futuros possíveis antes que eles se tornem óbvios pro todo o mercado. É olhar pros “sinais de mudança”, aqueles pequenos comportamentos ou tecnologias emergentes, e projetar como eles podem transformar o teu setor daqui a cinco ou dez anos.

Um conceito interessante, e que talvez tu nunca tenha ouvido falar, é o de zombie ideas (ideias zumbis). São aquelas crenças que já foram desmentidas pelos fatos, mas que continuam dominando a nossa narrativa. Um exemplo? A ideia de que um diploma universitário é a única garantia de prosperidade. Os dados mostram que isso mudou drasticamente.

Pro teu negócio, a pergunta é: quais são as ideias zumbis que tu ainda carrega e que estão bloqueando a tua imaginação pro novo?

SXSW 2026: Por que a imaginação virou o ativo mais valioso pro teu negócio

O que acontece com a tua imaginação ao longo da vida?

Aqui entra um dado que dói, mas que explica muita coisa. Pesquisas apresentadas durante uma conversa sobre a importância do brincar mostram que, aos cinco anos de idade, cerca de 98% das crianças apresentam níveis de criatividade e imaginação considerados de “gênio”. Sabe quanto sobra disso na vida adulta? Apenas 2%.

Onde foi parar o resto? A gente não perdeu a capacidade de imaginar por natureza. A gente foi treinado pra “desaprender” isso.

O sistema educacional e a cultura corporativa tradicional priorizam a resposta correta, a eficiência e a repetição de processos. Ao longo da vida, tu aprendeu a dar respostas, mas não teve o incentivo de fazer perguntas.

No mundo de hoje, onde as respostas prontas estão ficando obsoletas cada vez mais rápido, a habilidade de fazer a pergunta certa é muito mais valiosa do que ter a resposta decorada. Se o teu negócio está travado, talvez não seja falta de esforço, mas falta de “imaginação aberta” aquela que as crianças usam pra transformar uma caixa de papelão num foguete.

Pro empreendedor, isso significa ter a liberdade de perguntar: “E se o meu modelo de negócio fosse o oposto do que é hoje?”.

A tecnologia como combustível pra criação

Outra conversa essencial aqui no SXSW foi com Gustav Söderström, co-CEO do Spotify. Ele descreveu uma evolução da internet que explica por que a imaginação está ganhando tanto valor agora. Segundo ele, passamos por três fases:

Curadoria: quando a gente organizava as coisas em listas.
Recomendação: quando os algoritmos começaram a sugerir o que a gente deveria consumir.
Geração: a fase atual, onde a Inteligência Artificial permite que qualquer pessoa crie conteúdo, música ou soluções a partir de uma conversa com a tecnologia.

Isso amplia absurdamente a tua capacidade criativa. Tu não precisa mais ser um designer pro criar uma peça visual pro teu negócio, ou um programador pro automatizar um processo. A tecnologia baixou a barreira da execução. Mas isso gera um paradoxo interessante que é ferramentas vs. investigação

A gente nunca teve tantas ferramentas capazes de gerar ideias e soluções instantâneas. Mas, ao mesmo tempo, corremos o risco de pular etapas fundamentais do aprendizado humano: a investigação, a tentativa e o erro.

Se tu usa a Inteligência Artificial apenas pra repetir o que já existe, tu está apenas otimizando o passado. O valor estratégico agora está na imaginação que orienta a ferramenta. A máquina entrega a resposta, mas é a tua imaginação que precisa propor o problema inédito.
Como disse Söderström, a próxima geração da internet não será sobre “escolher” em uma lista, mas sobre “conversar” com a tecnologia pra criar algo novo.

O pequeno negócio: o laboratório perfeito pra novos caminhos

Muitas vezes, a gente acha que inovação e imaginação estratégica são exclusividade das gigantes do Vale do Silício. O SXSW 2026 mostra que é exatamente o contrário. Muitos movimentos de mercado começam pequenos, como uma tentativa de resolver um problema específico do cotidiano.

Pela proximidade com o cliente, o empreendedor tem o que as grandes corporações tentam comprar com pesquisas caríssimas: o contato direto com a realidade.

O empreendedor vê mudança de comportamento do público no dia a dia, tem a agilidade pra experimentar, falhar pequeno e ajustar rápido. O pequeno negócio é o ambiente natural pro observar esses sinais de mudança que a Lynn Jeffery mencionou.

A competitividade hoje não nasce apenas do preço ou do produto em si, mas do significado que tu consegue imprimir no teu negócio. E o significado nasce da tua capacidade de imaginar como a vida do cliente pode ser melhor por meio do serviço ou produto disponibilizado.

Quando o empreendedor usa a imaginação pra resolver um problema real, deixa de ser apenas um fornecedor e vira uma referência de valor.

Debates que refletem o futuro

A gente sai das sessões aqui em Austin com uma certeza: o debate sobre o futuro do trabalho e dos negócios não é sobre quem tem o melhor software, mas sobre quem mantém a capacidade de imaginar.

Vivendo um cenário em que as máquinas respondem cada vez mais rápido, a vantagem competitiva dos seres humanos é a curiosidade. Novos caminhos pros negócios não vão surgir de uma fórmula pronta ou de uma lista de “5 dicas pra ter sucesso”. Eles vão surgir de uma pergunta, de uma hipótese ou de uma tentativa corajosa de resolver algo que ainda não está claro.

Quer continuar acompanhando essa jornada com a gente?

A gente segue mergulhado no SXSW 2026 pra filtrar, contextualizar e traduzir tudo o que rola em Austin pra tua realidade. Não fica de fora dessa conversa que está moldando os próximos anos: acompanha a nossa cobertura no Instagram!

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Conteúdo escrito por:

Sebrae
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