A IA escreve por você, mas o que você vai contar para ela?

Você não precisa ter jeito para escrever para ter uma comunicação autêntica. Mas precisa saber o que dizer e como pedir.

Publicado em: Leitura: 5 minutos

Você abre a IA, digita “escreve um post sobre meu negócio” e recebe um texto bonito, bem estruturado, com uma frase de encerramento convidando o cliente a agir. 

Lê, acha razoável, posta. 

Ninguém curte. Ninguém comenta. Ninguém compra. 

Não é porque a IA escreveu mal. É porque você não disse nada para ela. E aceitou a primeira resposta como se fosse a definitiva. 

O problema não é a ferramenta. É como você usa. 

A IA funciona como um megafone. Ela pega o que você tem e projeta com mais força, mais clareza, mais velocidade. 

Megafone não cria conteúdo. Ele amplifica o que você coloca dentro. 

Se você coloca uma história real, uma opinião concreta, uma experiência que só você viveu, a IA transforma isso em algo que conecta de verdade. 

Se você não coloca nada, ela devolve o que tem disponível: um texto que parece de todo mundo, porque foi feito com o que todo mundo já disse. 

E se você aceita a primeira resposta sem questionar, sem passar por outra visão, sem ajustar com a sua voz, o resultado final ainda vai parecer frio. 

A IA não acerta de primeira. Nem você. Nem ninguém. 

O que a IA não sabe sobre você 

  • Por que você abriu esse negócio? Foi por necessidade, por vocação, por acidente? 
  • Qual foi o cliente que te fez perceber que estava no caminho certo? 
  • O que você faz diferente de todo mundo que faz a mesma coisa? 
  • Qual foi o erro que te ensinou mais? 

Essas respostas existem só na sua cabeça. A IA não consegue inventá-las. Mas quando você conta, ela consegue transformar isso em conteúdo que realmente representa o seu negócio. 

 

Imagem destaque do post A IA escreve por você, mas o que você vai contar para ela?. A imagem contém uma mulher sentada enquanto mexe no celular.

A diferença está no que você pede, não na ferramenta 

Para entender na prática como isso funciona, vamos acompanhar a Camila, um personagem fictício que representa situações reais vividas por muitos empreendedores. Camila tem uma boutique de roupas femininas no interior do RS, cuida das redes sociais sozinha, entre um atendimento e outro, e por muito tempo postava quando lembrava, sem padrão e sem resultado. 

Quando começou a usar IA, o primeiro erro foi o mais comum: abria a ferramenta, digitava “escreve um post sobre as novidades da loja” e publicava o que recebia. O texto ficava bonito, mas não parecia ela. As clientes não comentavam, não marcavam amigas, não perguntavam sobre as peças. 

O que mudou foi a instrução. Em vez de pedir algo genérico, ela passou a dar contexto real: 

“Escreve um post para minha loja de roupas femininas. Meu público são mulheres entre 30 e 50 anos que buscam estilo no dia a dia sem gastar muito. Acabou de chegar uma coleção de blazers coloridos. Tom descontraído, como se eu estivesse conversando com uma cliente de confiança. Quero que ela sinta vontade de vir experimentar.” 

O resultado foi completamente diferente. Não porque a IA ficou mais inteligente. Porque a Camila colocou mais dela na instrução. 

IA em dupla: usar mais de uma ferramenta muda o resultado 

Outra descoberta prática de quem usa IA no dia a dia é que cada ferramenta tem um ponto forte diferente. Quando você combina essas forças, o resultado fica muito mais próximo do que você realmente queria. 

O fluxo que funciona na prática é este: 

1 – Use uma IA para criar a instrução 

 Antes de pedir qualquer coisa, descreva o que você quer para o Claude. Ele vai ajudar a montar uma instrução detalhada, com contexto, tom e objetivo claros. Quanto mais específica a instrução, melhor o resultado na ferramenta que vai executar. 

2 – Use outra IA para executar 

Com a instrução pronta, leve para a ferramenta que melhor executa aquela tarefa. Para textos, o ChatGPT. Para imagens, o Gemini. Cada uma tem características diferentes e o resultado muda bastante dependendo de onde você aplica a instrução. 

3 – Volte para revisar e humanizar 

Traga o resultado de volta para o Claude e peça uma revisão com foco em tornar o texto mais natural, mais próximo da sua voz e mais adequado para o seu público. Esse passo é o que mais faz diferença entre um conteúdo que parece gerado e um conteúdo que parece escrito por uma pessoa real. 

4 – O olhar final é sempre seu 

Nenhuma IA vai saber se aquilo soa como você. Só você sabe. Antes de publicar, releia em voz alta. Se travar em alguma frase, reescreva. Se alguma palavra não é do seu vocabulário, troque. O conteúdo precisa passar pelo seu filtro antes de ir para o cliente. 

Quanto mais você usa, melhor você fica 

Tem um detalhe importante sobre como a IA funciona: ela não tem memória entre conversas diferentes. Cada vez que você abre uma conversa nova, ela começa do zero e não sabe nada sobre você, seu negócio ou seu estilo. 

Por isso, a dica mais prática para quem usa IA com frequência é organizar conversas separadas por tema e sempre voltar para a mesma quando for tratar daquele assunto. 

A Camila tem uma conversa só para os posts da loja. Nela, já explicou o perfil das clientes, o tom que quer usar, as peças que mais vendem e o estilo da marca. Toda vez que vai criar um post novo, abre essa mesma conversa. A IA já tem todo o contexto e as respostas chegam cada vez mais próximas do que ela quer. 

Quando foi a um evento do setor e queria transformar os aprendizados em conteúdo, abriu uma conversa separada só para isso. Assim manteve o histórico daquele tema sem misturar com o dia a dia da loja. 

O que melhora com o tempo não é a IA. É você. Cada rodada de ajuste te ensina a dar instruções melhores, a incluir mais contexto, a identificar quando o resultado ficou frio e o que fazer para corrigir. Quanto melhor você se comunica com a ferramenta, mais o resultado final parece seu. 

Qual IA usar para cada tarefa 

As três ferramentas indicadas a seguir, Claude, ChatGPT e Gemini, foram escolhidas por três motivos simples: são gratuitas, funcionam pelo celular ou computador sem precisar instalar nada e estão entre as mais usadas no mundo. Você provavelmente já ouviu falar de pelo menos uma delas.

Tarefa  Onde criar a instrução  Onde executar  Onde revisar 
Escrever um post ou legenda  Claude  ChatGPT  Claude 
Criar uma imagem para post  Claude  Gemini  Você mesmo 
Responder uma mensagem difícil de cliente  Claude  Claude  Você mesmo 
Reescrever um texto que ficou frio  Claude  ChatGPT  Claude 
Criar uma descrição de produto  Claude  ChatGPT  Claude 

Um exercício antes de abrir a IA 

Antes de digitar qualquer coisa, responde para você mesmo: 

  • Quem é meu cliente de verdade? Não “todo mundo”, mas aquela pessoa específica que mais precisa do que eu faço. 
  • O que eu quero que ela sinta ao ler esse post? Confiança? Identificação? Vontade de comprar? 
  • Tem alguma história real minha que ilustra isso? Um bastidor, um erro, um resultado concreto? 

Com essas três respostas em mãos, você não está pedindo para a IA criar. Você está pedindo para ela organizar e melhorar o que já é seu. 

Você não precisa ter jeito para escrever. Precisa saber o que dizer. 

A IA cuida das palavras. A história é sua. 

Quando você para de aceitar a primeira resposta e começa a usar mais de uma ferramenta, mais de uma visão e mais de uma rodada de ajuste, o conteúdo para de parecer gerado e começa a parecer seu. 

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Conteúdo escrito por:

Lucas Silva Santos
Relações Públicas, especialista em Marketing Digital e CX, e pós-graduando em Inteligência Artificial aplicada às organizações. Com 10 anos de trajetória no Sebrae RS, possui sólida expertise no atendimento a pequenos negócios. Integra o time de gestão do Sebrae Tá On, projeto de eventos semanais focado em levar conhecimento prático sobre gestão para empreendedores, e está à frente da curadoria e dos fluxos de inteligência do chatbot do Sebrae RS.

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