Zero-click: o que muda para empresas que dependem do Google

O Google está respondendo cada vez mais perguntas sem que o usuário precise sair da página de busca. Para quem depende do tráfego orgânico para atrair clientes, isso muda bastante coisa.

Publicado em: Leitura: 4 minutos

No Gramado Summit, enquanto assistia a uma apresentação sobre como a busca está evoluindo com inteligência artificial, comentei com o colega ao lado: “Eu adoro quando o Google já me dá a resposta na tela. Aí eu já começo a conversa por ali para perguntar mais.”

Era um elogio genuíno à experiência do usuário. E ao mesmo tempo, sem perceber, eu estava descrevendo exatamente o problema que afeta quem depende do Google para atrair clientes.

Porque quando o usuário encontra a resposta sem precisar sair da página de busca, o site que tinha aquela resposta não recebe a visita. E sem visita, não há oportunidade de vender.

Esse fenômeno tem nome: zero-click.

O que é zero-click

Zero-click é quando o Google responde a pergunta do usuário diretamente na página de resultados, por meio de inteligência artificial, trechos em destaque ou painéis de informação. O usuário encontra o que precisa sem precisar clicar para acessar nenhum site externo. A resposta chega antes mesmo de ele sair do Google.

Para o usuário, é uma experiência cada vez melhor. Para o negócio que dependia daquele clique para receber a visita, é uma oportunidade que simplesmente deixa de acontecer.

Dados do mercado americano e europeu indicam que em 2024, 58,5% das buscas nos Estados Unidos terminaram sem nenhum clique em site externo. Em meados de 2025, esse número chegou a 65% globalmente. Quando o Google exibe uma resposta gerada por inteligência artificial, a taxa de cliques cai 61%, mesmo para quem está na primeira posição dos resultados. Não existem dados públicos equivalentes para o Brasil, mas a tendência segue a mesma direção, já que o Google utiliza a mesma tecnologia em todos os países.

Traduzindo para a realidade de um pequeno negócio: de cada 10 pessoas que pesquisam algo relacionado ao seu produto ou serviço, até 6 ou 7 já encontram a resposta sem visitar nenhum site.

 

zero-click

Quem sente mais esse efeito

Nem todo negócio é afetado da mesma forma. Os que sentem mais são aqueles que dependem do Google como principal canal de atração de clientes.

  • Negócios que usam blog para atrair clientes organicamente.
  • Sites com conteúdo informativo como dicas, tutoriais e explicações.
  • Pequenos e-commerces que competem por termos genéricos de busca.
  • Empresas que não têm presença forte em outros canais além do Google.

Se o seu negócio depende quase exclusivamente do tráfego vindo do Google para vender, vale o alerta: diversificar agora é mais seguro do que esperar o impacto chegar.

O SEO não morreu. Ele está mudando de forma.

Nem tudo foi afetado da mesma maneira. Alguns tipos de busca ainda levam o usuário a clicar, e entender quais são eles ajuda a direcionar melhor os esforços.

Buscas com intenção de compra ou contratação ainda geram cliques. Quando o usuário quer comprar algo ou contratar um serviço, ele precisa ir até o site para concluir a ação.

Buscas locais continuam funcionando bem. Pesquisas por negócios próximos, como “restaurante perto de mim” ou “mecânico em [cidade]”, ainda levam o usuário a clicar, especialmente no Google Maps.

Conteúdo especializado e profundo tem mais chance de ser citado. Pesquisas realizadas no mercado americano mostram que perguntas longas e conversacionais, com 8 ou mais palavras, acionam a inteligência artificial do Google com muito mais frequência. O comportamento de busca no Brasil segue tendência similar à medida que os usuários se acostumam a fazer perguntas completas em vez de digitar termos isolados.

Autoridade real ainda importa. A inteligência artificial dos buscadores prefere citar fontes confiáveis quando gera respostas. Ter um posicionamento claro e consistente sobre um tema específico ainda é um diferencial.

Como se adaptar à nova realidade da busca

A resposta não é abandonar o Google. É parar de depender só dele.

Construa uma base de contatos própria. Lista de e-mail e lista de WhatsApp são canais que não dependem de algoritmo. Quem tem esses contatos alcança seus clientes diretamente, independente do que o Google decidir mudar.

Diversifique os canais de presença. Instagram, WhatsApp, YouTube e comunidades online são menos afetados pelo zero-click porque o usuário já está lá, não chegou por uma busca.

Invista no SEO local. Manter o Google Meu Negócio atualizado, com fotos, horários e respostas a avaliações, ainda gera tráfego qualificado para negócios físicos.

Produza conteúdo que a IA vai querer citar. Dados próprios, opiniões embasadas, experiências reais e perspectivas originais são exatamente o tipo de conteúdo que a inteligência artificial dos buscadores usa como referência ao gerar respostas.

Crie conteúdo que gera conversa, não só consulta. Vídeos, lives e posts que convidam à participação constroem uma audiência que volta independente do Google.

O que o Gramado Summit trouxe sobre esse tema

No Gramado Summit, o tema foi apresentado com um ponto central: a busca está evoluindo para entender intenção, não só palavras-chave. O usuário não pesquisa mais termos isolados. Ele faz perguntas completas e espera respostas conversacionais.

Para o negócio que sabe responder essas perguntas com profundidade e autoridade, a busca com IA pode ser uma oportunidade, não apenas uma ameaça. Quem produz conteúdo de qualidade real tem mais chance de ser citado pela inteligência artificial do que de ser ignorado por ela.

Resumo: o que fazer agora

  • Revise os canais que geram clientes para o seu negócio e veja o quanto depende só do Google;
  • Comece a construir uma base de contatos própria por e-mail ou WhatsApp;
  • Produza conteúdo com profundidade real, não apenas volume;
  • Fortaleça sua presença local no Google Meu Negócio;
  • Diversifique sua presença para canais que não dependem de busca.

Quer aprender como adaptar a presença digital do seu negócio à nova realidade da busca? Participe dos eventos gratuitos do Sebrae Tá On.

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Fontes:

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Conteúdo escrito por:

Lucas Silva Santos
Relações Públicas, especialista em Marketing Digital e CX, e pós-graduando em Inteligência Artificial aplicada às organizações. Com 10 anos de trajetória no Sebrae RS, possui sólida expertise no atendimento a pequenos negócios. Integra o time de gestão do Sebrae Tá On, projeto de eventos semanais focado em levar conhecimento prático sobre gestão para empreendedores, e está à frente da curadoria e dos fluxos de inteligência do chatbot do Sebrae RS.

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